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Archive for agosto \29\UTC 2008

Não escolhi ser músico. Caí meio de pára-quedas na música, e direto na música católica. No meu primeiro retiro de experiência de oração promovido pela RCC, ao perguntar a Deus que lugar ele queria que eu ocupasse na Igreja ele me disse imediatamente: música. Muito embora esse fosse o último lugar que passaria pela minha cabeça, pelo simples fato de ter que fazer isso diante sempre de muitas pessoas.

Por acaso (ou não tão acaso assim), naquele ano decidi aprender a tocar violão e um mês eu já era ministro de música do meu grupo de oração. E desde o primeiro ano em que tocava violão já comecei a compor minhas primeiras canções. Simples e diretas, feitas exclusivamente para aquela minha realidade de grupo de oração. Assim foi durante anos, até descobrir que o negócio era sério. Conheci músicos católicos que tinham uma musicalidade de profissionais e descobri que era necessário, quicá obrigatório, ser bom.

Nessa época comecei a participar do Canto Novo e a estudar música. Fiz vários cursos e aulas de canto e em todos esses anos na banda venho aprimorando a minha música de modo a fazê-la cada vez melhor.

E eis que, nesse caminho, o Senhor me trouxe até uma bifurcação, como se assim o dissesse: “Filho, eu te dei um presente, um dom. E presente a gente não pode pedir de volta. O dom da música que eu te dei é seu e você pode fazer dele o que você quiser. No entanto, faço-te uma proposta: você pode usar a sua música para fazê-la do seu jeito, e assim, você fará belas canções, tocará os corações através dessa beleza e serás abençoado. Ou então você pode colocar a sua música à minha disposição para que eu cante através de você. Desse jeito, eu poderei fazer através de você músicas que alcancem os corações de uma maneira que só eu poderia. Músicas que ninguém saberá dizer direito o porquê nem como, mas que calarão profundamente no coração das pessoas e gerarão nelas uma profunda conversão”.

E agora?

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Não freqüentava o Roxy, nem o Leblon. Muito menos passava minhas tardes no Shopping da Gávea nem caminhava no calçadão. Não sei o sabor do bacalhau do Antiquarius muito menos qual o mais novo restaurante de Roberta Sudbrack. Para mim, a melhor pizza do Rio não estava na Capricciosa, nem na Guanabara, mas na delícia crocante que era a do Fiorino ali na Tijuca. Não freqüento a missa na Nossa Senhora da Paz e não estico na Chaika. Não comi os pastéizinhos do Bracarense e nem do Jobi, muito menos curti a noite em pé na porta do Belmonte. A Barra da Tijuca era um lugar longínquo, do qual eu só conhecia o La Mole e o Barra Shopping.

No entanto, passava minha infância entre Realengo e Todos os Santos. Fazia minha felicidade participar das manhãs de sábado no Jardim do Méier, onde moro até hoje e ouvir da minha mãe que eu não podia ir na montanha russa do Tivoli Park (porque, embora talvez também tivesse medo, poderia pôr toda a culpa nela). Adorava o Shangai e nem sei se ainda é possível de ser freqüentado tamanha a violência na região. Ia a bailes de carnaval na rua e festas juninas. Assisti muitos filmes, muitas peças, fui a museus.

Conheci boa parte do Rio de Janeiro com meus pais. Passeava, sim, de vez em quando na Zona Sul, mas sabia me divertir quando o programa era a Quinta da Boa Vista e rolar em sua grama ao som dos gritos de “cuidado, menino!”. Desde bem pequeno fazia questão de saber o nome de todas as ruas, decorar os caminhos, entender os trajetos. A geografia da cidade nunca houvera sido um mistério para mim.

Hoje, lendo os jornais e revistas do Rio de Janeiro, tenho a impressão de que o além-túnel é um lugar cheio de mistérios e perigos, cujo risco valia apenas para se assistir a uma partida de futebol no Maracanã. Infelizmente poucos são os pais que levam os filhos para passear de trem e conhecer as pessoas que acordam às quatro e meia da manhã para ir trabalhar. Aquelas mesmas que abrem para eles o portão da garagem e que recolhem as bandejas deixadas nas mesas dos shoppings. Há muita disposição em se conhecer culturas exóticas como a indiana e a chinesa e pouco saber dos hábitos e costumes suburbanos.

O Rio de Janeiro é um universo múltiplo, mas fragmentado. Muito nos tocamos, mas pouco nos conhecemos. Da mesma forma que o carioca é um povo simpático e acolhedor, é um povo que não se dá a conhecer. Nunca se sabe o que está por trás de um sorriso carioca e nunca se sabe quando se realmente se deve “aparecer lá em casa”.

Quem sabe um dia esses muros caiam e possamos enfim, cada um no seu canto, ser apenas uma cidade.

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Que atire a primeira pedra aquele que nunca teve essa dúvida! Se até os santos da nossa Igreja foram atormentados por essa tentação, quiçá nós, meros mortais…

Há quem questione: se existe tanta gente boa que faz coisas boas sem dar a mínima para Deus, se existe tanta gente que parece ser tão feliz sem ir à missa todo domingo, por quê então nós precisamos d’Ele?

Acontece que o cristianismo possui uma diferença básica das outras religiões: etimologicamente, religião vem do latim religare ou religio que significam religar. O homem busca o seu deus a fim de refazer algo que foi desfeito, recuperar algo que estava perdido, reatar algo que estava separado. A fé cristã baseia-se no contrário. O centro da nossa fé gira em torno do tríduo paixão, morte e ressurreição de Jesus Cristo; este não apenas um profeta ou um enviado nem mesmo uma entidade ou divindade, mas o próprio e único Deus feito homem. Ou seja, para o cristão, não é o homem que busca a Deus, é Deus que busca o homem.

Há pessoas que abraçam a fé por uma identificação pessoal, ou por uma ideologia, ou mesmo porque a Igreja é um grupo “legal” de pessoas com quem gostamos de estar. Mas a essência do cristianismo não era essa. Vemos nos Atos dos Apóstolos que, todos aqueles que se tornavam cristãos não o faziam por uma mera adesão própria, mas como uma rendida reposta à uma experiência pessoal com Jesus Cristo. Nas palavras do profeta:

“Seduziste-me Senhor, e eu deixei-me seduzir por Ti. Tu me tornaste forte demais para mim, Tu me dominaste” (Jer 20, 7).

Dessa maneira, é Deus que, do alto de sua onipotência, opta por ter sede de nós. Porque nos ama. Como uma mulher existe por anos sem ter um filho, mas a partir da concepção passa a devotar sua vida a ele, assim o nosso Deus nos quer junto dele. Não à toa, Jesus, para o escândalo da sociedade judaica, resolve chamar Deus de PAI!

Quanto ao questionamento inicial: será que precisamos de Deus para sermos bons? Talvez não. Mas certamente precisamos dele para sermos melhores. Ser bom sem Deus, é navegar a remo. Com Deus é navegar a vela.

Somos todos doentes. Todos carregamos feridas profundas desde o ventre de nossa mãe – que o diga Freud – e quis o Senhor reunir a todos num grande hospital chamado Igreja. Uns melhores, outros piores, mas todos igualmente sedentos pelo Deus que um dia nos chamou pelo nosso nome e disse: “ÉS MEU!” (Is 43, 1b).

Nossa visão, hoje, é nublada. Vemos como que por um espelho – para Paulo – ou por uma parede – para Platão. Sendo assim, é perfeitamente normar que essa dúvida paire sobre nós. E é exatamente nisso que consiste a FÉ.

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Humildade

Ah… a humildade. Todo mundo acha que tem. Ou você conhece alguém que se considera arrogante, prepotente ou soberbo??

Em tempo de tantas medalhas de prata e bronze, humildade é um assunto mais do que atual. Mas ela puxa várias outras atitudes que, ou achamos que temos mais do que realmente temos, ou subestimamos nossa capacidade de sermos maus.

Inveja, por exemplo. Você se considera uma pessoa invejosa? Você reconhece quando está com inveja de alguém? Você conhece alguém que se considere invejosa? A inveja é um daqueles pecados que nunca se confessa, porque quem comete não admite ou não quer admitir. Como querer crescer assim? A inveja é um sentimento que assalta a nossa casa enquanto nós dormimos. Quando acordamos sentimos que algumas coisas nos faltam, mas não temos condição de dizer quem nos roubou. E assim ficamos um pouquinho mais pobres.

Falsidade. Essa então, é divertidíssimo observar como as pessoas lidam com ela. Gostaria de conhecer alguém que fosse 100% verdadeiro. Talvez o super-sincero, personagem interpretado pelo Luis Fernando Guimarães que, usando do exagero, mostra o quanto todos somos falsos e o quando precisamos ser falsos para sobreviver. É óbvio que existe a falsidade nociva disposto a atrair para a pior ratoeira com o mais saboroso queijo, mas a falsidade nossa de cada dia é um item indispensável à nossa sobrevivência. Porém, também obviamente, ninguém assume isso.

Sinceridade. É o extremo oposto do anterior. Todos se pensam sinceros, somente pelo simples motivo de que cada um sabe as reais intenções por trás de cada gesto que faz. Dã.

Amizade. Certa vez ouvi uma frase interessante: “Até mesmo a pior pessoa do mundo tem amigos”. E quanto mais fiéis e leais eles forem pior para nós, né? Todos se acham muito amigos (aliás, o que significa “ser uma pessoa muito amiga”?), mas será que somos amigos das pessoas certas? Creio que a grande virtude da amizade não esteja em ser 100% amigo, mas em saber escolher para quem doamos a nossa amizade. Eu acho muito difícil…

No momento, não me recordo de outras atitudes, mas assim que eu lembrar eu prometo que continuo esse post, pois agora estou atrasado para a missa onde vou pedir perdão pela minha inveja, falsidade…

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A função da arte

Sou eu um artista? Mesmo sendo músico, cantor e compositor (quiçá um escritor amador), até hoje não sei direito. Por um lado vejo pessoas que são muito mais artísticas do que eu. Gente que pensa e respira arte e conseqüentemente faz arte. Por outro lado há tantos outros que encarnam o pragmatismo em pessoa, que não fazem nada sem ter um porquê, um objetivo imediato; que só querem saber do que pode dar certo, pois não têm tempo a perder.

Especulo sobre tudo isso porque aconteceram-me dois fatos: ontem tive a oportunidade de começar a ler um livro que, mais do que ser arte, fala da arte que é a própria vida em si mesma. Acontecimentos que são, por si só, artísticos. Trata-se de “O Livro dos Abraços” do escritor uruguaio Eduardo Galeano. Uma coletânea de pequenas histórias que o autor foi colecionando aqui e ali em suas andanças por esse mundo. E cada história nos envolve como um abraço, que aquece e restaura nossas forças para viver.

A segunda, é que hoje na minha primeira aula de Literatura Portuguesa o professor passou quase a aula inteira definindo arte e discutindo sobre as diferentes visões sobre o que é arte. Em uma das visões de arte vimos que, algo para ser considerado arte, não pode ter um objetivo definido. Ou seja, numa última análise, a arte não serve para nada, simplesmente porque não é feita para servir. A arte não é uma calça 32 feita especialmente para algumas poucas afortunadas e invejadas. A arte não quer levar ninguém a lugar nenhum, a arte só quer falar da vida com tintas próprias. Sem compromissos e sem manuais. A arte é livre.

Como compositor, foi reconfortante para mim ouvir isso, pois recorrentemente me captura uma crise na minha produção como músico cristão: a minha música deve estar a serviço da arte ou a serviço da meta? Hoje descobri que, assim como a literatura, a música está além da arte e, portanto, não pode ser dela escrava. A música é uma linguagem como qualquer outra para se falar o que quiser e o que bem entender. Seja para entoar loas para a sua amada, seja para vender um produto ou recomendar o voto a algum candidato político. Me reconforta saber que minha música é livre para ser o que quiser e quem quiser usá-la que invente como. E é também só minha a liberdade para escolher para ser ou não ser artista conforme a minha vontade.

P.S. Coincidemente, o título deste post é o título de um dos melhores contos do “Livro dos Abraços”. Vale conferir…

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Mudanças

Certa vez, um amigo me disse que me admirava a minha “coragem de me reinventar”. Na época eu não entendi nem concordei muito com essa avaliação, mas hoje, passando pelas diversas mudanças na minha vida do jeito que estou, corajosamente ou não, estou tendo que me reinventar.

É sempre um custoso processo recomeçar. Significa muitas vezes abrir mão de muito do que já conquistamos em prol da conquista de algo novo. É arrumar os armários, as gavetas, as pastas.

Muitas são as críticas e muitos são os que sabem o que é melhor para nós. No entanto, é necessário que nós abramos nossas próprias trilhas e trilhemos nossos próprios caminhos sob o risco de repetir fórmulas, seguir paradigmas e nos frustrarmos no fim das contas.

Nesse processo, muitas vezes damos de frente com alguma fraqueza, alguma chaga, alguma frustração. Partes de nós que lá estão à nossa revelia. Paciência. Hoje olho minhas mãos e já vejo as marcas da idade. Cada mancha dessas é uma memória, boa ou ruim, de tudo o que já vivi. Sei que ainda tenho muito pela frente e eu sou o único responsável por tudo o que vier. Inclusive por não ter do que me arrepender no futuro. Que venha cada nova marca!

Conhecer novas pessoas é sempre um bom termômetro das mudanças, já que elas vão conhecer e ajudar a construir uma nova pessoa, que talvez as de sempre nunca venham a descobrir. Mas é preciso lembrar que há uma raiz. O verdadeiro amigo que nos ama simplesmente porque nos ama. Sejamos nós quem sejamos, estejamos nós quem estejamos. Não há o que explique, não há o que restrinja esse amor. Recentemente velhos amigos me fizeram perceber isso e agradeço profundamente a Deus pela imagem do Seu amor incondicional que eles são para mim.

Eis o Luís Felipe hoje. Reinventando-se. Redescobrindo-se. Reenamorando-se de si mesmo.

E seja bem-vindo ao meu novo blog!

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