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Archive for setembro \26\UTC 2008

É possível notar hoje a existência do que eu costumo chamar de “show business católico”. Uma rede que envolve artistas, gravadoras, empresários, produtores, emissoras de rádio e TV etc. Uma rede fundamentada numa cultura ainda muito difundida no nosso meio que é a cultura do profissionalismo. “Temos que ser profissionais”. Então todos essas pessoas procuram profissionalizar-se em suas áreas. Ótimo. Só que hoje já podemos começar a avaliar, isso nos teve um custo.

Com profissionalismo, ninguém faz o que não lhe é interessante. Uma relação profissional é sempre baseada na seguinte idéia subentendida: “o que eu ganho com isso?”. Numa relação profissional as partes avaliam se ambas ficam satisfeitas ao fim da negociação. Caso contrário, nada acontece e cada um volta pra sua casa. Por exemplo, se eu quero contratar uma banda para tocar na minha festinha, a banda me diz seus preços, suas condições e o que pode oferecer em troca. Ao término da negociação, posso fechar acordo ou não, dependendo das necessidades e possibilidades.

É a partir dessa mentalidade, que as pessoas desse meio, estabelecem suas propostas de trabalho. Só que ao entrarem em contato com a realidade da mentalidade católica, acontece um choque, um impasse. Essa realidade do profissionalismo em muitos momentos, se não tomarmos o devido cuidado, irá bater de frente com valores evangélicos. Nessa disputa, pode ser que quem saia perdendo seja o evangelho, e por opção nossa.

No momento desse choque, podem acontecer três possibilidades: assumidamente abrimos mão do profissionalismo e deixamos a caridade falar mais alto; nos aferramos aos nossos valores profissionais independentemente de tudo para não sermos injustos com ninguém; ou adaptamos nosso conceito de profissionalismo ao nosso bel-prazer. Só que esse ajuste acaba por satisfazer somente aos nossos interesses e terminamos por julgar o outro. Infelizmente essa terceira é a que mais acontece. “Vamos chamar o cantor X para o nosso evento, porque ele é famoso e vai atrair público e angariar mais fundos. O que? Ele cobra isso tudo? Que absurdo! Um cantor católico cobrando para cantar na igreja…”

Será que estamos preparados para isso? Será que queremos e precisamos de profissionalismo dentro da Igreja? Será que o que eu penso sobre o assunto, no fim das contas só é interessante pra mim? Tais respostas são fundamentais para que o profissionalismo seja apenas mais um instrumento para alavancar a construção do reino e não um veneno que a destrua.

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Mais Feliz

A mãe que com cantos embalou o menino
A voz que um dia soou
Um canto angelical, divino
Voz do homem ao coração de Deus
A mãe que nos braços tomou
E no berço deitou e não se esqueceu
Do que podia dar

Pra fazer alguém mais feliz
Pra formar um ser
É tudo aquilo que eu quis
E que não é mais senão amor

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Desde criança tive um bom relacionamento com as palavras. Nunca elas me foram estranhas ou amedrontadoras de modo que decifrá-las chegou mesmo a ser uma grande diversão quando, ainda criança, desafiava-me a lê-las nos letreiros das lojas e nas placas das ruas. Mais tarde, nas aulas de português, costumava ser bajulado pelas minhas professoras por minhas poesias e dissertações.

No entanto, ao mergulhar um pouco mais fundo no mundo das letras e ler gente que brincava com as palavras, que sabia tirar delas sentidos que inicialmente elas não tinham, senti-me cada vez mais exigente com minha produção literária que, com isso, acabou caindo, caindo até a sua extinção. Posteriormente fazendo um curso superior que não exigia maiores capacidades redacionais, deixei de desenvolver esse meu lado.

Recentemente, ao iniciar a graduação em Letras vejo-me reencontrando com esse fantasma de outrora e recuperar a minha redação se faz necessário. Confesso que não é nada fácil recomeçar depois de um longo período, mas ao mesmo tempo, há um novo odor de desafio. Muito parecido com o daquele pirralho metido a sabido lendo os letreiros na rua.

Espero nessa nova etapa da minha vida aprender novos recursos, novas saídas para continuar desenvolvendo minha escrita, que talvez tenha sido uma das minhas maiores incentivadoras na escolha do curso. Nest blog tenho procurado exercitar a redação sem maiores compromissos, para tentar fazer novamente das palavras, as minhas maiores amigas.

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Ao visitar em agosto a admirável obra social de Carlinhos Brown, no Candeal, em Salvador,
ouvi-o contar que na infância, vivida ali na pobreza, ele não conheceu a fome.
Havia sempre um pouco de farinha, feijão, frutas e hortaliças.
‘Quem trouxe a fome foi a geladeira’, disse.
O eletrodoméstico impôs à família a necessidade do supérfluo:
refrigerantes, sorvetes etc.. A economia de mercado, centrada no lucro e não nos direitos da população, nos submete ao consumo de símbolos.
O valor simbólico da mercadoria figura acima de sua utilidade.
Assim, a fome a que se refere Carlinhos Brown é inelutavelmente insaciável.
É próprio do humano – e nisso também nos diferenciamos dos animais – manipular o alimento que ingere. A refeição exige preparo, criatividade, e a cozinha é laboratório culinário, como a mesa é
missa, no sentido litúrgico.
A ingestão de alimentos por um gato ou cachorro é um atavismo desprovido de arte.
Entre humanos, comer exige um mínimo de cerimônia: sentar à mesa coberta pela toalha, usar talheres, apresentar os pratos com esmero e, sobretudo, desfrutar da companhia de outros comensais.
Trata-se de um ritual que possui rubricas indeléveis. Parece-me desumano comer de pé ou sozinho, retirando o alimento diretamente da panela.

Marx já havia se dado conta do peso da geladeira.
Nos ‘Manuscritos econômicos e filosóficos’ (1844), ele constata que o valor que cada um possui aos olhos do outro é o valor de seus respectivos bens.
Portanto, em si o homem não tem valor para nós’.
O capitalismo de tal modo desumaniza que já não somos apenas consumidores, somos também consumidos. As mercadorias que me revestem e os bens simbólicos que me cercam é que determinam meu valor social.
Desprovido ou despojado deles, perco o valor, condenado ao mundo ignaro da pobreza e à cultura da exclusão.
Para o povo maori da Nova Zelândia cada coisa, e não apenas as pessoas, tem alma.
Em comunidades tradicionais de África também se encontra essa interação matéria-espírito.
Ora, se dizem a nós que um aborígine cultua uma árvore ou pedra, um totem ou ave, com certeza
faremos um olhar de desdém.
Mas quantos de nós não cultuam o próprio carro, um vinho guardado na adega, uma jóia?
Assim como um objeto se associa ao seu dono nas comunidades tribais, na sociedade de consumo o mesmo ocorre sob a sofisticada égide da grife.
Não se compra um vestido, compra-se um Gaultier; não se adquire um carro, e sim uma Ferrari; não se bebe um vinho, mas um Château Margaux. A roupa pode ser a mais horrorosa possível, porém se traz a assinatura de um famoso estilista a gata borralheira transforma-se em Cinderela…
Somos consumidos pelas mercadorias na medida em que essa cultura neoliberal nos faz acreditar que delas emana uma energia que nos cobre como uma bendita unção, a de que pertencemos ao mundo dos eleitos, dos ricos, do poder. Pois a avassaladora indústria do consumismo imprime aos objetos uma aura, um espírito, que nos transfigura quando neles tocamos. E se somos privados desse privilégio, o sentimento de exclusão causa frustração, depressão, infelicidade.
Não importa que a pessoa seja imbecil. Revestida de objetos cobiçados, é alçada ao altar dos incensados pela inveja alheia. Ela se torna também objeto, confundida com seus apetrechos e tudo mais que carrega nela, mas não é ela: bens, cifrões, cargos etc.
Comércio deriva de ‘com mercê’, com troca. Hoje as relações de consumo são desprovidas de troca, impessoais, não mais mediatizadas pelas pessoas.
Outrora, a quitanda, o boteco, a mercearia, criavam vínculos entre o vendedor e o comprador, e também constituíam o espaço das relações de vizinhança, como ainda ocorre na feira.
Agora o supermercado suprime a presença humana. Lá está a gôndola abarrotada de produtos sedutoramente embalados. Ali, a frustração da falta de convívio é compensada pelo consumo supérfluo.
‘Nada poderia ser maior que a sedução’ – diz Jean Baudrillard – ‘nem mesmo a ordem que a destrói.’
E a sedução ganha seu supremo canal na compra pela internet. Sem sair da cadeira o consumidor faz chegar à sua casa todos os produtos que deseja.
Vou com freqüência a livrarias de shoppings. Ao passar diante das lojas e contemplar os veneráveis objetos de consumo, vendedores se acercam indagando se necessito algo.
‘Não, obrigado. Estou apenas fazendo ‘ um passeio Socrático’, respondo.
Olham-me intrigados.
Então explico:
Sócrates era um filósofo grego que viveu séculos antes de Cristo.
Também gostava de passear pelas ruas comerciais de Atenas.
E, assediado por vendedores como vocês, respondia:
‘Estou apenas observando quanta coisa existe de que não preciso para ser feliz’

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Monica Salmaso

MonicaSalmaso1

MonicaSalmaso1

MonicaSalmaso2

MonicaSalmaso2

Mônica Salmaso e Grupo Pau Brasil do Teatro Carlos Gomes. Um show inesquecível!!!!

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Padre Fabio de Melo - Vida

Padre Fabio de Melo - Vida

Não é à toa que esse é o primeiro CD em que Fábio de Melo assina como padre. Não que se envergonhasse do título, mas ele sempre achou que usá-lo poderia fazer com que a assimilação de sua obra ficasse distorcida. É, pode ser. Mas curiosamente é justamente numa gravadora secular que o padre aparece com mais força, num trabalho muito mais de intérprete que de compositor, mas nem por isso menos autoral.

O repertório, muito bem selecionado, é quase todo de regravações de hits da música católica, mas seguindo uma clara linha temática que nos sugere uma história. A história de um Deus que é Pai e nos ama do jeito que nós somos, com nossas incoerências e machucaduras.

O CD abre com a faixa-título, uma regravação de Fábio Jr. que foi tema da novela Top Model e que, por isso, talvez tenha sido subvalorizada, mesmo sendo uma belíssima canção com uma letra que introduz o que há por vir: o corre-corre do nosso dia-a-dia que embaça a percepção que temos do mundo que nos rodeia e que nos poupa de ver as pequenas belezas.

Em “Tudo é do Pai”, “Deus é Capaz”, “Pai” (também do Fábio Jr.) e “Graças Pai”, Pe. Fábio mostra sem rodeios o amor do nosso Pai do Céu, como que num apelo para que percebamos o amor de Deus que está presente “nos pequenos e belos detalhes”. Um momento sublime é a regravação de “O Caderno” de Toquinho e Lupicínio Rodrigues onde Pe. Fábio explica onde quer chegar com a metáfora de que se apropria na música.

O único porém do álbum são os arranjos burocráticos e que pouco acrescentam (por vezes até copiam) aos arranjos originais das canções, o que passa a impressão de que o trabalho foi feito a toque de caixa. Uma pena. No entanto, a primeira empreitada de Pe. Fábio no meio secular foi uma grata surpresa. Profundo e evangelizador na medida certa.

Update/Errata: No CD anterior “Filho do Céu”, Fábio de Melo já assinava como padre.

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Tenho percebido uma postura na nossa música que tem me incomodado um pouco: já ouvi alguns CDs católicos em que os nomes dos artistas são bradados em alto e bom som pelo público presente, que em algumas vezes é até incitado a fazê-lo. Não fosse bastante, tais manifestações são mantidas na gravação até com certo orgulho.

Tenho percebido com grande insatisfação que, nos últimos anos, a música católica vem sendo gerenciada de modo que os nomes dos artistas muitas vezes importam mais que a música que cantam. Cada vez mais somos impelidos a comprar os CDs do artista X e não o CD que tem a música Y (o que, pelo menos aqui no Rio, sempre foi o mais comum), mesmo que tais CDs nem sejam tão bons assim quanto anteriores. Nossas gravadoras, emissoras de rádio e TV, centralizam cada vez mais a exibição dos já conhecidos “medalhões”, independente da música que cantam.

Os argumentos mais utilizados para que justificar tais posturas centralizam sempre a culpa no público: “é inevitável que haja esse tipo de idolatria”, ou “são eles que o povo quer ouvir” e ainda “são eles que chamam público”. Só que isso tudo foi sendo construído aos poucos, não foi algo inerente à nossa música. Fotos nas capas dos discos, ampla divulgação na mídia dos artistas, grandes shows com grandes nomes… Seguimos um modelo completamente baseado no modelo de showbusiness da música secular e, hoje, sofremos as conseqüências.

O curioso é que, há tempos esse modelo está em decadência na música secular. Há tempos não surgem grandes nomes como Madonna, Michael Jackson ou U2. A Internet veio democratizar a música de uma maneira que não tem mais volta. Hoje em diz cada um pode ouvir e curtir o que quiser, sem ter que consumir obrigatoriamente aquilo que a indústria oferece. E nós, cristãos, estamos copiando não só um modelo cuja compatibilidade com a nossa fé é discutível, como também ele próprio está falido.

Conclusão: temos hoje uma música católica cada vez mais centralizada nos “medalhões” (que, com uma ou duas exceções, são exatamente os mesmos há dez anos), a “espetacularização” destes artistas, que cada vez mais são tratados como ídolos e uma distanciação cada vez maior da música católica “de ponta” dos músicos de “chão de fábrica”. Lembro-me dos tempos em que ir ao Hallel significava esbarrar no Martin Valverde ou pisar no pé da Ziza. Hoje, eles não têm sossego se forem se aventurar a fazer o mesmo. Mas a culpa é do povo ou somos todos vítimas do sistema que os próprios artistas, as gravadoras e a mídia católica ajudaram a criar?

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