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Archive for março \15\UTC 2011

Dentre as inúmeras mudanças ocorridas no último século, é incontestável a relevância da revolução social proporcionada pelo desenvolvimento dos meios de comunicação. As frações de segundo em que a informação hoje circula pelo globo era algo absolutamente inimaginável há pouco menos de 100 anos. A velocidade com que essas mudanças aconteceram não foram, talvez, acompanhadas por uma reflexão mais aprofundada acerca das implicações dessas novas relações estabelecidas entre os indivíduos numa sociedade conectada.

A comunicação de massa, por exemplo, até bem pouco tempo, era um instrumento de poder exclusivo de esferas superiores da sociedade, seja por conta de um excessivo poder financeiro, ou pela tradição de determinados grupos em dominarem os meios de comunicação. Toda informação que era veiculada, passava antes por um filtro que agia entre a realidade e o espectador final. Uma notícia divulgada por um grande jornal era considerado digno de credibilidade, devido à tradição daquele veículo – ainda que essa credibilidade fosse artificialmente construída. Sendo assim, toda informação que circulava tinha a chancela de um “discurso autorizado”. Os jornais ditavam o que pensar, as gravadoras ditavam o que ouvir e a TV ditava em que acreditar.

Com a explosão da Internet, a informação foi democratizada e já não é mais um monopólio de pequenos grupos empresariais. Dessa forma, informações verdadeiras e falsas convivem lado a lado circulando pela rede e uma população já habituada a receber informações filtradas pelos meios de comunicação – e devidamente adestrada a não investigar a veracidade dessas informações – está completamente vulnerável a pessoas mal-intencionadas. Dessa forma, informações falsas amplamente divulgadas pela rede (conhecidas como hoaxes) são tomadas como verdades, o que pode ocasionar desde difamações acerca de pessoas conhecidas ou empresas, ou até mesmo trazerem softwares maliciosos que podem prejudicar o funcionamento do computador ou mesmo roubar dados pessoais tais como senhas de banco.

Acostumamo-nos a ensinar aos nossos filhos as regras básicas de convivência nos centros urbanos, tais como: olhar para os dois lados antes de atravessar a rua, não aceitar presentes de estranhos etc. Também no mundo virtual já se começa uma espécie de educação para as crianças a fim de evitar ameaças sérias como a pedofilia, por exemplo. No entanto, não são poucos os adultos ainda ingênuos no mundo da internet que costumam ser confundidos por mensagens sentimentalóides, informações caluniosas e promessas milagrosas de facilidades. Fica a questão: por que costumamos ser tão maliciosos no mundo real e desarmamos essa guarda quando estamos diante de um monitor e um teclado? Será que é porque inconscientemente partimos do princípio de que toda informação escrita é verdadeira?

A internet é uma babel de discursos de todos os tipos: honestos e traiçoeiros, inteligentes e simplórios, verdadeiros e falsos e é preciso mantermos o tempo inteiro nosso alerta ligado, de modo que não acreditemos a priori em tudo o que lemos, nem na internet, nem nos meios de comunicação de massa. Afinal de contas, quem não quer ser manipulado, precisa conhecer, e muito bem, as principais formas de manipulação a que somos submetidos todos os dias.

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Duas experiências as quais tenho vivido nesses últimos dias estão me fazendo experimentar na pele uma nova maneira de enxergar o amor cristão. Em ambos os casos, Deus colocou na vida da minha família pessoas sobre as quais conhecemos muito pouco, mas ainda assim estão requerendo de nós um amor além do humanamente comum. E em ambas as situações eu e minha esposa estamos experimentando que amar é envolver-se.

É comum em nossa caminhada cristã termos uma visão de que o trabalho evangelístico é um trabalho de redenção de almas. Essa visão não está de todo errada, no entanto, a forma em que muitas vezes fazemos isso está completamente equivocada: consideramos-nos superiores por dispor de algo que o outro não têm e vamos ao seu encontro oferencendo esse algo na base do “quer-quer-não-quer-não-quer”. Ou seja, jogamos a semente e saltamos fora esperando que Deus e o tempo terminem o trabalho da germinação.

Olhando o exemplo de Jesus, vemos que, de fato, às multidões, era mais ou menos isso que ele fazia, até porque seria humanamente impossível o contrário. Mas o que nos chama a atenção é ver que Jesus elegia algumas pessoas em quem ele investia muito mais: investia não somente as suas palavras ou os seus milagres, mas a si mesmo. Zaqueu, Madalena, a mulher na casa de Simão, Mateus foram alguns desses eleitos a quem Jesus precisava dar muito mais. Precisava arriscar seu nome, sua reputação, sua credibilidade a fim de alcançar-lhes o Reino. Esses relacionamentos nos ensinam que amar é muito mais do que dizer palavras bonitas ou ungidas: amar é arriscar-se. É arriscar sua reputação e renome em prol do resgate de alguns, talvez um. Será que estamos mesmo dispostos a isso?

Sob esse novo prisma entendemos a máxima de Cristo em que “É mais fácil um camelo passar pelo fundo duma agulha do que um rico entrar no Reino de Deus” (Lc 18, 25). O rico é aquele que em sua vida acumulou não somente bens materiais, mas prestígio, reconhecimento. Tais bens costumam ser até mais preciosos do que as próprias riquezas materiais, posto que são conquistadas à custa de muito sacrifício e tempo. Nós costumamos dispender muito de nossas energias em acumular esses bens imateriais de modo inversamente proporcional à disposição que temos de colocá-los em serviço do Reino. No entanto, talvez sejam essas as primeiras coisas que precisamos estar dispostos a abrir mão ao seguir a Cristo.

Amar é envolver-se, comprometer-se. É pensar que não somos redentores de mão única, mas que precisamos também do que essas pessoas têm a nos ensinar com suas histórias de vida, por vezes tão doloridas que pensamos se já não teríamos desistido caso estivessemos em seu lugar e que somos tão fracos e insuficientes quanto esses irmãos. Jesus, muito mais que acumular bens, parecia estar preocupado em acumular amigos. Tanto que chegou ao ponto de dizer: As raposas têm covas e as aves do céu, ninhos, mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça.” (Lc 9, 58) Talvez por isso precisasse tanto dos ombros daqueles que o cercavam…

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