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Archive for the ‘Espiritualidade’ Category

Comecei a compor quase na mesma época em que comecei a tocar violão. Tocava no grupo de oração e sentia necessidade de produzir mais músicas novas, músicas que expressassem a espiritualidade daquelas pessoas que vinham toda semana para falar com Deus e ouvi-lo. Era uma época em que quase toda a produção musical católica era produzida na RCC por pessoas que gravavam seus discos com músicas que, de autoria própria ou não, costumavam cantar em seus grupos. Da mesma forma, comecei a compor músicas para serem cantadas em grupos de oração.

Apesar disso, minhas músicas permaneceram durante um bom tempo engavetadas (revisitando-as hoje, agradeço esse feliz contratempo). Alguns anos mais tarde resolvi gravar uma fita cassete com minhas composições e distribuir para alguns amigos próximos. Eu, que sempre fui – e até hoje sou – muito tímido para mostrar minhas músicas, tive ali naquele cassete que batizei de Recado meu primeiro canal de divulgação das minhas músicas.

Curiosamente, pouco tempo depois fui chamado para participar de uma banda cujo nome refletia essa minha constante necessidade de produzir novas composições: Canto Novo, uma das bandas do Rio de que mais gostava. Lá tive a oportunidade de, além de compor especificamente para a banda (“Nova geração” e “Quando Deus não está”), cantar músicas que eu já tinha antes de entrar para a banda (“Junto a mim” e “Desafio”) e, graças a Deus o retorno era muito positivo.

Ao longo desses anos sempre tive a consciência de que minha música estava mais a serviço do ministério que eu exercia no momento do que por uma necessidade artística pessoal. Minhas músicas, com raras exceções, eram feitas para serem tocadas nos grupos que eu frequentava, muito embora isso quase nunca acontecesse.

Sendo assim, com o tempo, fui me dando conta de que a melhor maneira de que fazer com que minha música chegasse onde deveria – no louvor das pessoas –  a melhor maneira era embalando-as com arranjos bem bonitos e encaixotando num CD. É assim que nasce meu mais novo projeto. Seja bem-vindo!

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Certa vez, um amigo padre me contou que iria celebrar a missa no fim de um encontro para casais católicos que vivem em segunda união. Tudo ótimo. Não fosse a peça que a liturgia pregou nele naquele dia: o evangelho seria exatamente aquele que diz que “aquele que rejeita sua mulher está em adultério” e assim por diante. A infeliz coincidência era tamanha que pensou consigo: “Não é possível, Deus deve estar querendo falar algo comigo”. Em sua reflexão, chegou a algumas conclusões com as quais compartilho e divido-as com vocês:

Deus tem para nós um plano, um projeto ideal: a santidade, a perfeição: “sede perfeitos, assim como vosso Pai celeste é perfeito.” (Mt 5, 48). No entanto, muitas vezes, não temos, por uma série de restrições que a nossa vida nos impõe, condição de desenvolver nossa santidade do jeito que Deus gostaria. Nossa história nem sempre é contruída do jeito que nós planejamos. Há percalços, tropeços e momentos em que a vida nos leva por um caminho nos quais não ambicionávamos trilhar, mas… Foi o que deu. Diante desses desencontros da vida, muitos se desencorajam em levar adiante sua fé, por verem-se em perdidos em caminhos mal vistos e acabam abandonando Deus aos seus fiéis (mas muitas vezes hipócritas) seguidores.

Será que quando essa perfeição não é atingida o nosso Pai do céu nos descarta simplesmente como uns fracassados e indignos? Será que a vida cristã só é válida se atingimos um patamar de 100% de santidade?

Infelizmente, é muito comum que nós, filhos mais velhos que somos, julguemos e condenemos as pessoas quando essas não atingem o ideal de santidade que NÓS esperamos delas e em muitas vezes o fazemos até com certo prazer. Não é de se admirar que aquelas pessoas desistam de Deus e de um projeto de vida cristã, por achar algo por demais alto para ser alcançado por alguém tão pecador. Mas, ora, não foi justamente esse paradigma que Cristo veio quebrar, contrariando todos os padrões vigentes, militados com fervor pelos fariseus?

Ideais são para serem perseguidos, mas como o nome diz, pertencem ao mundo das idéias. A santidade em terra talvez seja apenas uma utopia, mas que precisa ser almejada. No entanto, acreditar que qualquer coisa diferente da perfeição nos reduz a nada não condiz com a realidade da boa nova que Cristo não só veio nos ensinar, mas como veio ser para nós. Ser santo talvez não seja apenas ser perfeito, mas ser o melhor que pudermos ser em cada instante da nossa vida. E sede benvindos, pecadores! Eis aqui vosso lugar!

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Sinto que estou num momento em que muitos músicos católicos começam suas “carreiras”, gravam CDs, fazem cada vez mais shows… E em certos casos, muitos se profissionalizam tanto que ficam cada vez mais distantes daquele jovem que toca três acordes no violão no seu grupo jovem, no seu grupo de oração ou na missa das 18h do domingo.

Nunca deixei de ser um ministro de música. E entendo ministro como aquele que põe o seu dom a serviço de alguém ou alguma coisa. No nosso casos de ministros de música, esse alguém é Deus e essa coisa é a Igreja. Grande parte das músicas que componho são direcionadas. Feitas com algum intuito. Até porque tem ministra em grupos, tardes de louvor e encontros sabe do sufoco que é peneirar um bom repertório. Tenho várias músicas que refletem momentos meus, sentimentos particulares, mas hoje em dia sinto que Deus está querendo e a Igreja precisando do meu ministério por completo. Como diz a letra da canção:

Só por ti, Jesus, quero me consumir, como vela que queima no altar, me consumir de amor.

Conversando com um amigo produtor, ele me atentava para o fato de que hoje em dia temos poucos artistas que dediquem a sua vida à sua música, àquilo que fazem; que se rasguem para interpretar uma canção, como uma Elizeth Cardoso, uma Elis Regina, uma Cássia Eller. Da mesma forma, a minha música confessional precisa não só que eu a cante, mas que eu me consuma por ela. Que eu dê a vida por ela.

Existem canções e existem canções.

Enfim, hoje mais um passo nesse discernimento. Escrevendo aqui, eu penso, oro, reflito…

Caetano não está fazendo sua “obra em progresso”? Então… Eis aqui a minha…

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Não escolhi ser músico. Caí meio de pára-quedas na música, e direto na música católica. No meu primeiro retiro de experiência de oração promovido pela RCC, ao perguntar a Deus que lugar ele queria que eu ocupasse na Igreja ele me disse imediatamente: música. Muito embora esse fosse o último lugar que passaria pela minha cabeça, pelo simples fato de ter que fazer isso diante sempre de muitas pessoas.

Por acaso (ou não tão acaso assim), naquele ano decidi aprender a tocar violão e um mês eu já era ministro de música do meu grupo de oração. E desde o primeiro ano em que tocava violão já comecei a compor minhas primeiras canções. Simples e diretas, feitas exclusivamente para aquela minha realidade de grupo de oração. Assim foi durante anos, até descobrir que o negócio era sério. Conheci músicos católicos que tinham uma musicalidade de profissionais e descobri que era necessário, quicá obrigatório, ser bom.

Nessa época comecei a participar do Canto Novo e a estudar música. Fiz vários cursos e aulas de canto e em todos esses anos na banda venho aprimorando a minha música de modo a fazê-la cada vez melhor.

E eis que, nesse caminho, o Senhor me trouxe até uma bifurcação, como se assim o dissesse: “Filho, eu te dei um presente, um dom. E presente a gente não pode pedir de volta. O dom da música que eu te dei é seu e você pode fazer dele o que você quiser. No entanto, faço-te uma proposta: você pode usar a sua música para fazê-la do seu jeito, e assim, você fará belas canções, tocará os corações através dessa beleza e serás abençoado. Ou então você pode colocar a sua música à minha disposição para que eu cante através de você. Desse jeito, eu poderei fazer através de você músicas que alcancem os corações de uma maneira que só eu poderia. Músicas que ninguém saberá dizer direito o porquê nem como, mas que calarão profundamente no coração das pessoas e gerarão nelas uma profunda conversão”.

E agora?

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