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Archive for the ‘Música católica’ Category

Comecei a compor quase na mesma época em que comecei a tocar violão. Tocava no grupo de oração e sentia necessidade de produzir mais músicas novas, músicas que expressassem a espiritualidade daquelas pessoas que vinham toda semana para falar com Deus e ouvi-lo. Era uma época em que quase toda a produção musical católica era produzida na RCC por pessoas que gravavam seus discos com músicas que, de autoria própria ou não, costumavam cantar em seus grupos. Da mesma forma, comecei a compor músicas para serem cantadas em grupos de oração.

Apesar disso, minhas músicas permaneceram durante um bom tempo engavetadas (revisitando-as hoje, agradeço esse feliz contratempo). Alguns anos mais tarde resolvi gravar uma fita cassete com minhas composições e distribuir para alguns amigos próximos. Eu, que sempre fui – e até hoje sou – muito tímido para mostrar minhas músicas, tive ali naquele cassete que batizei de Recado meu primeiro canal de divulgação das minhas músicas.

Curiosamente, pouco tempo depois fui chamado para participar de uma banda cujo nome refletia essa minha constante necessidade de produzir novas composições: Canto Novo, uma das bandas do Rio de que mais gostava. Lá tive a oportunidade de, além de compor especificamente para a banda (“Nova geração” e “Quando Deus não está”), cantar músicas que eu já tinha antes de entrar para a banda (“Junto a mim” e “Desafio”) e, graças a Deus o retorno era muito positivo.

Ao longo desses anos sempre tive a consciência de que minha música estava mais a serviço do ministério que eu exercia no momento do que por uma necessidade artística pessoal. Minhas músicas, com raras exceções, eram feitas para serem tocadas nos grupos que eu frequentava, muito embora isso quase nunca acontecesse.

Sendo assim, com o tempo, fui me dando conta de que a melhor maneira de que fazer com que minha música chegasse onde deveria – no louvor das pessoas –  a melhor maneira era embalando-as com arranjos bem bonitos e encaixotando num CD. É assim que nasce meu mais novo projeto. Seja bem-vindo!

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No último fim de semana aconteceu no Playcenter, em SP o Summer Night, um multievento católico com shows, pregações e louvor. O Estadão cobriu o evento através do jornalista Paulo Sampaio que publicou o seguinte:

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100524/not_imp555795,0.php#noticia

Fiquei impressionado com a densidade de comentários preconceituosos destilados com maldade pelo jornalista, coisa que, se referida a alguma minoria social, certamente levantaria inúmeros defensores de todos os lados. Como a Igreja Católica está numa maré de pagar pelos erros de alguns, sem o menor constrangimento por parte da imprensa, a crítica pode passar até por bem-humorada para um leitor ingênuo.

Daí resolvi imaginar como seria o jornalista Paulo Sampaio sendo enviado para cobrir uma noite numa boate gay (com comentários para explicar as técnicas de escrita):

“Sexta-feira é um dia agitado na principal boate gay do Centro de S. Paulo. Homens de diferentes faixas etárias reúnem-se num ambiente escuro, barulhento e enfumaçado para se divertir [notem o paradoxo proposital para causar estranheza: como um lugar escuro, barulhento e enfumaçado pode ser divertido?]. O tal ambiente [veja que a palavra tal, mostra certo desprezo] já se anuncia na porta, em que uma drag queen recebe os clientes com seletiva simpatia [o seletiva diz que ela era antipática com alguns e sugere acepção de pessoas].

Lá dentro, rapazes exibiam em gaiolas penduradas a razão de suas horas de academia e a precisão de suas axilas depiladas [ironia], já que permaneciam com os braços levantados quase o tempo inteiro. A música que envolvia o local, ruidosa e repetitiva, [preconceito] é conhecida como techno [o é conhecida mostra que trata-se de um termo só conhecido pelo grupo e consciente distanciamento do jornalista].

Mas o melhor estava por vir [mais ironia]: sem a menor aparência de critérios, homens de diferentes idades beijavam-se indiscriminadamente [preciso explicar alguma coisa?]. Isso sem falar nos banheiros, os quais preferi não conhecer [explicito proposital desconhecimento. Não entendo por quê, estou só seguindo a linha do Sr. Paulo Sampaio]. A saída é mais um suplício [opa! Ato falho! Eu não podia deixar claro que o aquilo representava para mim de forma pessoal], quando uma fila nilótica [para obrigar o leitor a jogar no Google] separava os clientes do caixa.

“Aqui é um ambiente de total liberdade e tranqüilidade” diz o proprietário do local [você já está esperto: sacou o paradoxo desacreditando a fala descontextualizada do entrevistado?]

Será que ele teria coragem de ser tão politicamente incorreto assim com uma comunidade com a qual ele não se identifica como a comunidade gay, por exemplo? E eu? Será que já posso conseguir um emprego no Estadão? #ficadica

P.S. Como existe o risco de alguém não entender minha ironia, quero deixar bem claro que eu não assino a matéria acima, OK? É apenas uma fantasia usando técnicas aparentemente empregadas pelo jornalista.

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É possível notar hoje a existência do que eu costumo chamar de “show business católico”. Uma rede que envolve artistas, gravadoras, empresários, produtores, emissoras de rádio e TV etc. Uma rede fundamentada numa cultura ainda muito difundida no nosso meio que é a cultura do profissionalismo. “Temos que ser profissionais”. Então todos essas pessoas procuram profissionalizar-se em suas áreas. Ótimo. Só que hoje já podemos começar a avaliar, isso nos teve um custo.

Com profissionalismo, ninguém faz o que não lhe é interessante. Uma relação profissional é sempre baseada na seguinte idéia subentendida: “o que eu ganho com isso?”. Numa relação profissional as partes avaliam se ambas ficam satisfeitas ao fim da negociação. Caso contrário, nada acontece e cada um volta pra sua casa. Por exemplo, se eu quero contratar uma banda para tocar na minha festinha, a banda me diz seus preços, suas condições e o que pode oferecer em troca. Ao término da negociação, posso fechar acordo ou não, dependendo das necessidades e possibilidades.

É a partir dessa mentalidade, que as pessoas desse meio, estabelecem suas propostas de trabalho. Só que ao entrarem em contato com a realidade da mentalidade católica, acontece um choque, um impasse. Essa realidade do profissionalismo em muitos momentos, se não tomarmos o devido cuidado, irá bater de frente com valores evangélicos. Nessa disputa, pode ser que quem saia perdendo seja o evangelho, e por opção nossa.

No momento desse choque, podem acontecer três possibilidades: assumidamente abrimos mão do profissionalismo e deixamos a caridade falar mais alto; nos aferramos aos nossos valores profissionais independentemente de tudo para não sermos injustos com ninguém; ou adaptamos nosso conceito de profissionalismo ao nosso bel-prazer. Só que esse ajuste acaba por satisfazer somente aos nossos interesses e terminamos por julgar o outro. Infelizmente essa terceira é a que mais acontece. “Vamos chamar o cantor X para o nosso evento, porque ele é famoso e vai atrair público e angariar mais fundos. O que? Ele cobra isso tudo? Que absurdo! Um cantor católico cobrando para cantar na igreja…”

Será que estamos preparados para isso? Será que queremos e precisamos de profissionalismo dentro da Igreja? Será que o que eu penso sobre o assunto, no fim das contas só é interessante pra mim? Tais respostas são fundamentais para que o profissionalismo seja apenas mais um instrumento para alavancar a construção do reino e não um veneno que a destrua.

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Tenho percebido uma postura na nossa música que tem me incomodado um pouco: já ouvi alguns CDs católicos em que os nomes dos artistas são bradados em alto e bom som pelo público presente, que em algumas vezes é até incitado a fazê-lo. Não fosse bastante, tais manifestações são mantidas na gravação até com certo orgulho.

Tenho percebido com grande insatisfação que, nos últimos anos, a música católica vem sendo gerenciada de modo que os nomes dos artistas muitas vezes importam mais que a música que cantam. Cada vez mais somos impelidos a comprar os CDs do artista X e não o CD que tem a música Y (o que, pelo menos aqui no Rio, sempre foi o mais comum), mesmo que tais CDs nem sejam tão bons assim quanto anteriores. Nossas gravadoras, emissoras de rádio e TV, centralizam cada vez mais a exibição dos já conhecidos “medalhões”, independente da música que cantam.

Os argumentos mais utilizados para que justificar tais posturas centralizam sempre a culpa no público: “é inevitável que haja esse tipo de idolatria”, ou “são eles que o povo quer ouvir” e ainda “são eles que chamam público”. Só que isso tudo foi sendo construído aos poucos, não foi algo inerente à nossa música. Fotos nas capas dos discos, ampla divulgação na mídia dos artistas, grandes shows com grandes nomes… Seguimos um modelo completamente baseado no modelo de showbusiness da música secular e, hoje, sofremos as conseqüências.

O curioso é que, há tempos esse modelo está em decadência na música secular. Há tempos não surgem grandes nomes como Madonna, Michael Jackson ou U2. A Internet veio democratizar a música de uma maneira que não tem mais volta. Hoje em diz cada um pode ouvir e curtir o que quiser, sem ter que consumir obrigatoriamente aquilo que a indústria oferece. E nós, cristãos, estamos copiando não só um modelo cuja compatibilidade com a nossa fé é discutível, como também ele próprio está falido.

Conclusão: temos hoje uma música católica cada vez mais centralizada nos “medalhões” (que, com uma ou duas exceções, são exatamente os mesmos há dez anos), a “espetacularização” destes artistas, que cada vez mais são tratados como ídolos e uma distanciação cada vez maior da música católica “de ponta” dos músicos de “chão de fábrica”. Lembro-me dos tempos em que ir ao Hallel significava esbarrar no Martin Valverde ou pisar no pé da Ziza. Hoje, eles não têm sossego se forem se aventurar a fazer o mesmo. Mas a culpa é do povo ou somos todos vítimas do sistema que os próprios artistas, as gravadoras e a mídia católica ajudaram a criar?

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