Feeds:
Posts
Comentários

Archive for the ‘Resenhas’ Category

capa-peq

Há esperança!

É muito comum encontrarmos nas músicas católicas de hoje em dia termos recorrentes como solidão, noite, dor, angústia, aflição… Muitas vezes as músicas até trazem, sim, uma mensagem, mas gastam tanto tempo rodando em torno apenas do que os olhos podem ver, que acabam por preterir o essencial da mensagem cristã: a Graça que transcende a natureza e a Fé que supera as circunstâncias que jogam contra.

Felizmente, há exceções que confirmam a regra: “Não desista de viver” é um álbum ensolarado. Desde sua arte, passando pelas letras e até sua estética musical. Sem negar cegamente as nossas misérias (muito pelo contrário), Diego Fernandes está muito mais interessado em reforçar que a misericórdia divina vai muito além de todas elas e que, como diz numa canção que resume a grande mensagem do CD: Há esperança!

Tudo isso, ressalte-se, feito com uma competência musical poucas vezes vista na música católica. Muitos são os que querem “revolucionar a música católica” e que divulgam em seus releases uma inovação que uma audição mais criteriosa não reconhece. Com produção do nunca convencional Duda Suliano, o CD de fato, com suas influências do rock inglês contemporâneo, consegue ser extremamente moderno sem sacrificar a coerência com o que Diego quer dizer com suas letras, ainda mais autorais e tocantes. Não há como não se identificar com o pecador arrependido da emocionante “Converte-me Senhor”, com o resgatado de “Eu não esqueço” e com o sedento de “Eu quero te experimentar”.

“Não desista de viver” consegue apossar-se de um discurso pentecostal sem abusar dos clichês típicos do formato, sendo palatável tanto por apreciadores de uma música mais bem elaborada, até por despretensiosos que tudo o que esperam de um CD católico é rezar com ele.

Espero que esse trabalho possa influenciar positivamente as novas gerações de músicos católicos, a fim de que tenham a consciência de que para fazer música católica não bastam uma voz e uma guitarra na mão, mas mais importante está uma experiência autêntica com o Senhor das coisas.

Read Full Post »

Num ano perdido na década de 90 eu estava descompromissadamente assistindo a um desses programas vespertinos em que um dos convidados era Wilson Simonal. Obviamente, um dos assuntos abordados foi o linchamento público de que foi vítima por mais de 30 anos. Ele alegou inocência e cantou. Com voz já um tanto consumida pelo alcoolismo em que naufragou ao longo desses anos e que também o deixou com uma fisionomia acabada, mas ainda com boa parte do carisma que fez dele um dos cantores mais populares da história do país.

Lembrei-me então de que um dos discos prediletos da minha infância era um já velho, arranhado e sem capa de Wilson Simonal, que hoje com uma rápida busca descubro ser o volume 2 da série “Alegria, Alegria”, de bastante sucesso na década de 60. Lembro-me de dançar com “Recruta Biruta”, divertir-me com “Paraíba”, surpreender-me com a levada diferente de “Zazueira” e quase chorar com a melancolia otimista de “Sá Marina”.

Pouco tempo depois conheceria o trabalho musical dos seus filhos Max e Simoninha, o que me aproximou ainda mais da obra do Simonão. E quando li o livro “Noites Tropicais” fiquei completamente mexido com a contundência do relato de Nelson Motta sobre a ascensão e queda daquele que por pouco não tirou o Roberto Carlos do seu trono. Comprei dois CDs dele e li sobre as histórias, quase míticas, que cercavam sua pessoa: o coro de 15, 20, 30, 40 mil vozes – dependendo da versão – no Maracanazinho, que deixou Sérgio Mendes sem saber o que fazer; a pilantragem, gênero cunhado por Simona e Carlso Imperial que tinha como bandeira o total e completo descompromisso com o que quer que fosse e, inevitavelmente;  o episódio da surra no contador, a conseqüente ligação de sua pessoa com o regime militar e o claustrofóbico ostracismo a que foi condenado. E aquela figura já quase lendária para minha geração passou a ser um dos cantores que mais admirava e respeitava.

Vibrei por dentro ao saber que essa leitura do “Noites…” também tinha mexido com o Claudio Manoel do Casseta & Planeta e que o cinema brasileiro iria transformar essa história num documentário. Desde então fiquei ansioso por ver o resultado. Pois bem, ontem fui ao cinema para vê-lo. E, para minha surpresa, a figura de Simonal ainda era bem maior do que eu supunha. Além daquela figura carismática e divertida, Simonal era um cantor perfeito, no nível dos melhores cantores de jazz e soul norte-americanos. O momento em que divide o microfone com Sarah Vaughan para entoar “The Shadow of Your Smile”, com técnica impecável e o tradicional bom-humor, é arrepiante.

O filme consegue vencer a dura tarefa de não ser maniqueísta e, para tal, angariou depoimentos de Ziraldo e Jaguar, dois dos seus principais algozes e do contador que teria supostamente desfalcado suas contas e por isso foi torturado nos porões do DOPS. O julgamento fica a cargo do espectador. No entanto, fica incontestável a idéia de que Simonal foi o maior cantor que o Brasil já teve, confirmada ao final por Miéle de forma emocionante.

O filme também deixa notório o quanto somos capazes de sermos tão cruéis quanto aqueles que nós mais condenamos. Se fosse preso, torturado ou exilado tanto quanto seus colegas de show-business o foram, não teria sido tão triste e injusto quanto o linchamento que aconteceu, e por parte daqueles que pregavam a liberdade. Além do preço alto que a arrogância e a auto-suficiência podem ter.

Sempre achei meio ridículo isso, mas ao final do filme levantei-me e, junto a outros tímidos companheiros de sala, aplaudi. Aplaudi um artista que precisava desses aplausos por mais 30 anos, mas estes lhe foram negados. Alegria, alegria!!

Read Full Post »

Monica Salmaso

MonicaSalmaso1

MonicaSalmaso1

MonicaSalmaso2

MonicaSalmaso2

Mônica Salmaso e Grupo Pau Brasil do Teatro Carlos Gomes. Um show inesquecível!!!!

Read Full Post »

Padre Fabio de Melo - Vida

Padre Fabio de Melo - Vida

Não é à toa que esse é o primeiro CD em que Fábio de Melo assina como padre. Não que se envergonhasse do título, mas ele sempre achou que usá-lo poderia fazer com que a assimilação de sua obra ficasse distorcida. É, pode ser. Mas curiosamente é justamente numa gravadora secular que o padre aparece com mais força, num trabalho muito mais de intérprete que de compositor, mas nem por isso menos autoral.

O repertório, muito bem selecionado, é quase todo de regravações de hits da música católica, mas seguindo uma clara linha temática que nos sugere uma história. A história de um Deus que é Pai e nos ama do jeito que nós somos, com nossas incoerências e machucaduras.

O CD abre com a faixa-título, uma regravação de Fábio Jr. que foi tema da novela Top Model e que, por isso, talvez tenha sido subvalorizada, mesmo sendo uma belíssima canção com uma letra que introduz o que há por vir: o corre-corre do nosso dia-a-dia que embaça a percepção que temos do mundo que nos rodeia e que nos poupa de ver as pequenas belezas.

Em “Tudo é do Pai”, “Deus é Capaz”, “Pai” (também do Fábio Jr.) e “Graças Pai”, Pe. Fábio mostra sem rodeios o amor do nosso Pai do Céu, como que num apelo para que percebamos o amor de Deus que está presente “nos pequenos e belos detalhes”. Um momento sublime é a regravação de “O Caderno” de Toquinho e Lupicínio Rodrigues onde Pe. Fábio explica onde quer chegar com a metáfora de que se apropria na música.

O único porém do álbum são os arranjos burocráticos e que pouco acrescentam (por vezes até copiam) aos arranjos originais das canções, o que passa a impressão de que o trabalho foi feito a toque de caixa. Uma pena. No entanto, a primeira empreitada de Pe. Fábio no meio secular foi uma grata surpresa. Profundo e evangelizador na medida certa.

Update/Errata: No CD anterior “Filho do Céu”, Fábio de Melo já assinava como padre.

Read Full Post »

Sete Desejos – Alceu Valença (1992)
Catavento e Girassol – Leila Pinheiro (1996)
Bloco do Eu Sozinho – Los Hermanos (2001)
Eu me transformo em outras – Zélia Duncan (2004)
Marcelo D2 – À procura da batida perfeita (2003)
Chicas – Quem vai comprar nosso barulho? (????)
Roberta Sá – Braseiro (2005)
Lenine – Na pressão (1999)
Patrícia Marx – Charme do mundo (1997)
Paula Toller – Paula Toller (1998)
Herbert Vianna – O som do sim (2000)

Com o tempo pretendo falar de cada um deles… Mas fica a dica.

Read Full Post »

Lura – Di Korpu Ku Alma

Di Korpu Ku Alma

Di Korpu Ku Alma

Uma das minhas músicas prediletas do CD do Gabeh, meu antigo professor de canto, era “Hoje no Mar” versão de “Nha Vida”. Um rápido Google nela, descobri que se tratava de uma canção de uma cantora “caboverdiana de Lisboa” (sic, segundo a wikipedia) chamada Lura. Curioso, procurei na Internet algum material dela e achei esse CD. Uma pérola. Não saberei fazer uma crítica musical, até porque ele não tem nada de especial ou fantástico. Ela mesma não é uma cantora virtuosa. No entanto, penso que é exatamente esse o charme do trabalho da cantora. Autêntico e delicioso, uma massagem nos ouvidos, principalmente por causa do idioma indefinido em que ela canta, ora português, ora crioulo. Vá com os ouvidos e o coração abertos.

Read Full Post »